sexta-feira, 30 de agosto de 2013

vamos ler para refletir.


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- Leven -
Na foto, um membro da seita Ku Klux Klan, ferido após um confronto com a polícia, é socorrido por uma médica negra, com cara de empregada doméstica.

A imagem daquelas Barbies de jaleco hostilizando médicos cubanos que chegavam ao aeroporto de Fortaleza não me sai da cabeça.

Fico me perguntando se daqui a alguns anos elas terão a capacidade de se envergonhar e arrepender do que fizeram. Espero que sim.

Espero que elas consigam enxergar o ridículo de, aos vinte e poucos anos, recém-formadas, vaiarem despudoradamente profissionais com larga experiência acumulada em anos e anos de dedicação ao exercício da medicina.

Espero também que essas pessoas que vêm infestando as redes sociais com manifestações racistas e xenófobas sejam punidas pelos crimes de ódio que vêm cometendo. Não por desejar o mal, mas o bem, espero que a distinta senhora que disse que as médicas cubanas têm cara de empregadas domésticas tenha a oportunidade de rever seus conceitos, talvez numa situação tão periclitante como a daquele membro da Ku Klux Klan que, entre a vida e a morte, não pode esperar por uma doutora Barbie para lhe socorrer.

Por fim, eu também lamento muito que os médicos e médicas cubanos e cubanas sejam em grande número negros. Lamento porque pela ordem natural das coisas, eles deveriam apresentar, em sua maioria, não traços africanos mas sim indígenas. O fato de serem negros só nos relembra um terrível histórico de violências passadas que ainda reverberam. A população indígena caribenha foi quase totalmente dizimada no período colonial e a genética negra que se introduziu ali foi resultado do tráfico de seres humanos, escravizados para serem o motor do lucro que fez da Europa essa “civilização desenvolvida” que tantos cultuam.

E, depois dessa ida breve ao passado, eu não poderia deixar de dizer que, igualmente, me causa tremenda estupefação ver hoje pseudo-jornalistas, que se acham historialistas, compararem a condição daqueles negros que cruzaram o oceano, da África para a América, há 300 anos, e os que hoje cruzam o céu, de Cuba para o Brasil. Aos escravos africanos foi dada alguma escolha? Os médicos cubanos vieram acorrentados? Comparar os aviões que estão trazendo esses competentes médicos ao Brasil com os navios negreiros que trouxeram escravos para todo o nosso continente durante os séculos de empresa colonial é um dos exercícios de falseamento da História mais hediondos que eu já vi ser praticado.

As "doutoras" barbies poderão futuramente reavaliar seu gesto de bestialidade e se arrepender, quem sabe até mesmo se retratar. Isso é bom. A madame, que chama as médicas cubanas de empregadas domésticas ainda pode vir a ter a oportunidade de ser cuidada por uma dessas “domésticas”, e isso também é bom. Já a “jornalista” que fez a infeliz comparação não terá jamais a oportunidade de conhecer um navio negreiro de verdade. E isso é melhor ainda.

Que sejam muito bem vindos os médicos cubanos, negros, índios, cafuzos... Que o contato com as populações que serão assistidas por seus cuidados revele a verdadeira essência da nossa gente, cordial e receptiva.

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